Foto Divulgação

A obra, produzida com patrocínio da Lei Rubem Braga, de incentivo à cultura de Vitória, descreve a trajetória de Marcelino Bernardes de Souza.

A escritora Juliana Sabino Simonato promove lançamento do livro "Fazenda Santa Helena: Escravidão, Bastardia e Poder", nesta quarta-feira.
A escritora Juliana Sabino Simonato lança, nesta quarta-feira (18), o livro “Fazenda Santa Helena: Escravidão, Bastardia e Poder”. O lançamento acontece no auditório Renato Pacheco, na sede do Instituto Histórico e Geográfico do Espírito Santo, que fica no Parque Moscoso, a partir das 17 horas.
A obra, produzida com patrocínio da Lei Rubem Braga, lei de incentivo à cultura de Vitória, descreve a trajetória de Marcelino Bernardes de Souza, filho ilegítimo e mestiço, que viveu na antiga região do Castello (hoje na divisa entre Castelo e Conceição do Castelo), ao sul do Espírito Santo, e se passa no final do século XIX e início do XX.
Trata-se de um história real e, para reconstruir as práticas habituais desse período, a autora recorreu à aplicação do método da micro-história e da história oral. Assim, os relatos coletados na pesquisa foram confrontados com as fontes primárias, o que possibilitou uma melhor compreensão e maior descrição dos fatos relacionados a história da Fazenda.
“Procurei evidenciar os espaços encontrados por Marcelino para se distanciar das heranças do cativeiro e como seu parentesco com um membro da elite cafeeira do sul da Província do Espírito Santo, o levou a conseguir, por meio da compra, a sede da fazenda que pertenceu ao seu pai”, adianta Juliana.
Dessa forma, segundo a autora, apesar da falta de um reconhecimento jurídico, das relações afetivas que interligavam Marcelino Bernardes de Souza à família paterna legítima, tal fato propiciou um reconhecimento social que garantiu ao filho ilegítimo a possibilidade de aquisição de hipoteca para o financiamento da compras das terras de Santa Helena, o que o tornou proprietário de parte dos bens que pertenceram ao Barão de Guandu, comprovando as possibilidades de ascensão social aos descendentes de escravos.
O caso de Marcelino Bernardes de Souza, filho de um grande proprietário de terras da região do Castello, o Barão de Guandú, com uma de suas escravas, é descrito através das “histórias” que permaneceram na memória de seus descendentes e daqueles que vivenciaram experiências do cotidiano da Fazenda Santa Helena.
“Tal situação evidencia relações sociais diferenciadas da comumente estabelecidas pela historiografia tradicional, que se utiliza de conceitos e cria padrões de homogeneidade social, baseados na defesa da existência de apenas senhores e escravos”, afirma. “Através das lembranças, guardadas na memória, além das fontes primárias, como inventários e livros de registros cartoriais, foi realizado uma reconstituição sobre a vida de Marcelino, bem como o relato de sua trajetória”, completa.
Lançamento do livro “Fazenda Santa Helena: Escravidão, Bastardia e Poder”
Onde: Instituto Histórico e Geográfico do Espírito Santo, Avenida República, 374, Ed. Domingos Martins, Parque Moscoso.
Quando: quarta-feira (18), às 17 horas
Entrada gratuita
Onde: Instituto Histórico e Geográfico do Espírito Santo, Avenida República, 374, Ed. Domingos Martins, Parque Moscoso.
Quando: quarta-feira (18), às 17 horas
Entrada gratuita
Com edição de Deyvison Longui
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