terça-feira, 5 de novembro de 2013

Seminário debate acolhimento e internação para crianças e adolescentes - VITÓRIA


Diego Alves
VI Seminário de Convivência Familiar e Comunitária
Diretora do Ciespe, Irene Rizzini, proferiu palestra sobre o papel do Estado e da sociedade na garantia dos direitos das crianças e dos adolescentes Ampliar
Cerca de 250 pessoas lotaram o auditório da Prefeitura de Vitória nesta terça-feira (5) para assistir ao VI Seminário Municipal de Convivência Familiar e Comunitária - Refletindo as ações em rede com vistas ao fortalecimento das famílias de crianças e adolescentes acolhidos. O evento procurou discutir a forma como a sociedade enxerga a institucionalização das crianças e adolescentes que precisam ser retirados do seio da família ou da sociedade e como o Estado se comportou e se comporta nesse processo.
A palestra da diretora do Centro Internacional de Estudos e Pesquisas sobre a Infância (Ciespi), Irene Rizzini, destacou o papel do Estado e da sociedade na luta pela garantia dos direitos das crianças e adolescentes. "Depois de certa idade, e dependendo do que vierem a fazer, a sociedade já não vai enxergá-los como alguém que precisa de cuidados, mas sim como um risco para todos. Contudo, sabemos que, biologicamente, algumas áreas do cérebro ainda não estão plenamente desenvolvidas na adolescência. E assim, negligenciamos essa criança ou adolescente duas vezes", explicou Rizzini.
Entre os ouvintes, a assistente social da Secretaria Municipal de Saúde (Semus) Silvia Aparecida Beltrame ressaltou a importância da proteção à família para evitar que as crianças e adolescentes saiam de casa e se percam no crime ou nas drogas. "Percebemos que, muitas vezes, a negligência na verdade é porque a família está dividida entre cuidar dos filhos e se sustentar. E essa situação não pode ser banalizada", afirmou.
Diego Alves
VI Seminário de Convivência Familiar e Comunitária
Mais de 200 pessoas lotaram o auditório da Prefeitura de Vitória para participar do Seminário Municipal de Convivência Familiar e ComunitáriaAmpliar
A psicóloga Tatiana Lorenço Rigueti e a assistente social Mariana Bartolazi vieram de Guacuí, no sul do Estado, para o seminário e elogiaram a qualidade das falas, principalmente no sentido de ouvir essas crianças e adolescentes. "Precisamos trabalhar para que o acolhimento seja o último recurso. Além disso, percebemos nas falas de algumas crianças acolhidas que muitas preferiam estar passando necessidade com seus pais e irmãos a estar sob os cuidados de uma instituição, porque a dor da saudade é pior do que a vida que levavam", explicou Mariana. E Tatiana complementou: "Quem somos nós para julgarmos essa crianças ou essa família?"
Para a gerente de Proteção Especial de Alta Complexidade da Secretaria de Assistência Social, Rogéria Carla Mesquita, o evento veio ressaltar que todas as crianças e adolescentes têm direito ao convívio com famílias e com a comunidade. "O trabalho da rede de proteção é muito importante no suporte às crianças e aos adolescentes que estão nas famílias acolhedoras, nas famílias extensas ou nas instituições de abrigamento. Conviver com famílias e em comunidade é direito dessas crianças e adolescentes, assim como ter saúde, educação e lazer",afirmou.
Além da palestra, os participantes também participaram de debates e mesa-redonda e assistiram ao documentário "Quando a Casa é a Rua", produzido por Thereza Jessouroun (Ciespi/PUC-Rio e Codeni/México).

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