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Peças de arte tribal africana fazem parte da exposição "Reinos, Escudos e Máscaras"
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Obras integram coleção do ÁfricaBrasil Museu Internacional, instalado no Sítio Histórico Porto de São Mateus
A exposição "Reinos, Escudos e Máscaras" prosseguirá aberta à visitação pública até o dia 20 de janeiro no Museu Capixaba do Negro "Verônica da Pas" (Mucane). A mostra, que marca a celebração do Dia Nacional da Consciência Negra, reúne um recorte de 33 peças de arte tribal africana que integram uma coleção bem maior, de 3.800 peças, do ÁfricaBrasil Museu Internacional, instalado no Sítio Histórico Porto de São Mateus, nessa cidade do norte capixaba. A entrada é gratuita e as visitas poderão ser agendadas previamente. A exposição foi aberta na noite da última terça-feira (19).
"Esta exposição chega aqui com 40 anos de atraso", ilustrou o curador da exposição, escritor e historiador, Maciel de Aguiar, falando sobre os esforços de quatro décadas para juntar o acervo em diversos países. Maciel atribuiu a ideia de reunir as peças de arte "saqueadas do continente africano ao longo de cinco séculos" não a ele, mas ao escritor e romancista baiano Jorge Amado, juntamente com o antropólogo Darcy Ribeiro e o pintor espanhol Pablo Picasso. Maciel disse que é só "um guardião" e que o acervo estava espalhado pelo mundo, em posse de colecionadores particulares, e conseguiu reunir as peças graças à intervenção de diversos intelectuais.
"Pablo Picasso mandou para Jorge Amado inúmeras obras, com o recado de que ele deveria capitanear a construção de um museu no país para abrigar essas obras extraordinárias, que inspiraram o surgimento da arte moderna, do cubismo, uma informação sempre negligenciada pelas elites acadêmicas e culturais, desde a Europa. O Brasil teria que reverter essa situação e eu aceitei o desafio proposto por eles sem saber o que ia acontecer. Começamos com 12 peças que Jorge Amado tinha em Salvador e com essas enviadas por Picasso. Depois, Darcy Ribeiro começou a fazer contato com intelectuais do mundo inteiro, por meio de Sérgio Buarque de Holanda, que se encantou pela iniciativa", contou Maciel.
Por entender que tais obras do ÁfricaBrasil pertencem à África e à humanidade, Maciel quer que a Organização das Nações Unidas (ONU) construa, na África, um museu para receber o acervo. "Se não podemos devolver os músculos dos negros que ajudaram a construir este país, que possamos devolver à África a dignidade e a cultura que eles nos legaram", disse Maciel, em discurso emocionado durante a abertura da exposição.
A iniciativa é do Governo do Estado, através da Secretaria de Estado da Cultura (Secult), juntamente com o Instituto Sincades (Sindicato do Comércio Atacadista e Distribuidor do Espírito Santo) e a Prefeitura de Vitória, através da Secretaria Municipal de Cultura (Semc).
O secretário municipal de Cultura, Alexandre Lima, destacou a importância e a dimensão da exposição e o fato dela ser montada no espaço do Museu Capixaba do Negro. "Quem conhece a história deste museu sabe que foi preciso muita luta para chegar como está hoje, recebendo um recorte da maior coleção do planeta de arte tribal africana. Gostaria de dizer ao grande mestre Maciel de Aguiar que ele teve um sonho, e sonho que se sonha junto vira realidade".
A diretora do Museu de Artes do Espírito Santo Dionísio Del Santo (Maes), Anna Saiter, representando a Secult, destacou a importância da cultura africana e afrobrasileira e o papel do Mucane na formação e difusão desta cultura. Para a diretora, a exposição se constitui em oportunidade de geração de conteúdos para trabalho em sala de aula. "É fundamental mobilizar os professores para que tragam as crianças até o museu. É preciso um esforço para visitar não apenas este recorte, mas também o conjunto que está em São Mateus, no ÁfricaBrasil Museu Internacional", disse Anna Saiter.
Serviço
Exposição "Reinos, Escudos e Máscaras"
Onde: Museu Capixaba do Negro “Verônica da Pas” (Mucane) – Avenida República, 121, Centro.
Quando: até 19 de janeiro.
Visitação: até 22 de dezembro, de terça a sexta-feira, das 9 às 21 horas. Sábados, domingos e feriados, das 10 às 17 horas. De 26 de dezembro a 20 de janeiro de 2014, de terça a sexta, das 9 às 18 horas. Sábados, domingos e feriados, das 10 às 17 horas. Agendamento de visitas: (27) 3222-4560, de segunda a sexta, das 9 às 18 horas. Por e-mail: mucane@correio1.vitoria.es.gov.br
Entrada gratuita
Atividades culturais durante a exposição
11 de dezembro
14h - Oficina Troca de Saberes, com jongo e dança afro do Mucane
18h - Apresentação de roda de jongo
14h - Oficina Troca de Saberes, com jongo e dança afro do Mucane
18h - Apresentação de roda de jongo
18 de dezembro
14h - Oficina Troca de Saberes, com congo e percussão do Mucane
18h - Apresentação da Banda de Congo Roda D´Agua (Cariacica)
14h - Oficina Troca de Saberes, com congo e percussão do Mucane
18h - Apresentação da Banda de Congo Roda D´Agua (Cariacica)
8 de janeiro
14h - Oficina Troca de Saberes, com Capoeira Patrimônio Cultural Brasileiro e danças populares do Mucane
18h - Roda de Capoeira, com Grupo Ganga Zumba e apresentação de dança popular com alunos do Mucane.
14h - Oficina Troca de Saberes, com Capoeira Patrimônio Cultural Brasileiro e danças populares do Mucane
18h - Roda de Capoeira, com Grupo Ganga Zumba e apresentação de dança popular com alunos do Mucane.
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Exposição no Mucane marca o Dia Nacional da Consciência Negra
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Exposição segue aberta ao público até o dia 20 de janeiro
Com edição de Matheus Thebaldi
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