domingo, 7 de setembro de 2014

Propriedade rural vira laboratório de estudo em Viana


Texto: Júlio Palassi / Foto: Luana Correa
06/09/2014 - 15:00 h

Se considerarmos algumas características, como os cabelos brancos, a personalidade brincalhona e a imaginação, ele até pode ser chamado de Gepeto dos dias atuais, o entalhador da história escrita pelo italiano Carlo Collodi em 1883 que constrói o famoso boneco Pinóquio, personagem que fez e faz parte da infância de muitas pessoas mundo afora. Porém, os inventos do aposentado Martinho Zucoloto, 75 anos, ex-técnico em eletroeletrônica, são reais e podem ser conferidos em sua propriedade, na comunidade Santa Rita, em Viana, e têm atraído a atenção de estudantes de várias partes do estado.
Muitas escolas têm agendado e levado seus alunos até o local, que fica a cerca de 25 quilômetros do centro de Viana, seguindo a rodovia ES 476, sentido Baía Nova. Lá, eles conferem na prática o resultado de leis da física e da matemática e assim o aprendizado fica mais fácil com a experiência que vivenciam. Já passaram por lá alunos do Darwin, Lusíadas, Ifes, escola agrícola de Alegre e escolas de Anchieta, entre outras.
Tudo começou há 15 anos quando o senhor Martinho resolveu montar algumas máquinas movidas com a farta água do sítio para serem usadas no local. E surgiram moedor de milho, monjolo, socador de café e arroz, moedor de cana, beneficiadora de macadâmia, farinheira, moinho, churrasqueiras e até uma geladeira que funciona sem motor. “Todo o sistema que a faz refrigerar é produzido a partir da água e não gastamos nada com energia elétrica”, contou o inventor.
Aliás, durante 20 anos a energia elétrica que atendia a propriedade era produzida no local. “Nos anos 1990, com a chegada do programa Luz para Todos, do governo federal, aposentamos o sistema que produzia sete mil Volts Ampere e beneficiava seis famílias com eletricidade. Hoje, numa emergência, conseguimos gerar energia para nossas casas”, ressaltou.
De acordo com Martinho Zucoloto, que concluiu o supletivo com mais de 40 anos, se formou em eletroeletrônica e possui mais de 18 cursos técnicos no currículo, o sítio, a princípio, foi comprado para acomodar os seus pais, que permaneceram na localidade durante 28 anos. “Não tive a oportunidade de estudar quando eu era criança, pois ajudava a minha família na lavoura. Aos poucos fui construindo as máquinas, sendo que a primeira delas foi a geladeira, depois o gerador de água que atendia a todos os moradores da região e depois o moinho de fubá”, explica.
O espaço, que já funcionou para visitações, retiros, comemorações, excursões e encontros, agora recebe exclusivamente grupos de estudantes e para conhecer os inventos é preciso agendar.  É cobrada uma taxa de R$ 3,00 por pessoa e os contatos são (27) 3226-6330 e 99274-8056.

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