sexta-feira, 1 de março de 2013

EUA: Preços do leite podem não compensar totalmente os altos custos da alimentação animal


postado há 1 dia atrás

Os custos da alimentação animal para produtores de leite provavelmente permanecerão altos, mas são esperados declínios no final do ano com as safras de milho e soja, de acordo com projeções do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) feitas no Fórum de Previsões Agrícolas 2013.

Constata-se que estes custos elevados, durante a maior parte do ano de 2013, não serão totalmente compensados pelo aumento esperado nos preços do leite. As projeções do USDA são de que o rendimento médio para operações leiteiras cairão de US$ 98.100 em 2012 para US$ 83.900 em 2013, um corte de 14,5%.

Na apresentação das previsões para o setor leiteiro, feito por Jerry Cessna, economista agrícola sênior para programas leiteiros do Serviço de Comercialização Agrícola do USDA, consta que, nos primeiros três trimestres de 2013, o USDA projeta preços médios do milho de US$ 6,75 a US$ 7,65 por bushel, comparado com US$ 6,22 em 2011-12. Entretanto, os preços no último trimestre de 2013 deverão cair para menos de US$ 4,80 por bushel, preço previsto para toda a safra de 2013-14, de acordo com o USDA.

Com relação à soja, os preços ficarão em torno de US$ 430 a US$ 460 por tonelada em 2012-13, mais que os US$ 394 do ano anterior. Isso declinará para uma média de US$ 300 por tonelada em 2013-14, com os preços menores no começo do ano comercial.

Os números de vacas por plantel deverá cair em 0,7% em 2013, disse Cessna em sua apresentação, em resposta aos altos preços dos alimentos animais, aos baixos números de novilhas de reposição comercializadas e os altos números de abates nos últimos meses. Entretanto, Cessna disse que a produção diária por vaca deverá crescer em 1,3%. Combinados, a queda no número de vacas e o modesto aumento na produção resultarão em um aumento de 0,6% na produção diária de leite, disse ele.

Os altos níveis dos estoques iniciais poderão manter os preços em cheque, mas Cessna projetou que os produtos lácteos apresentarão preços geralmente mais altos em 2013. Os valores deverão ser maiores para queijos, leite em pó desnatado e soro de leite. Os preços da manteiga podem ficar no mesmo nível dos praticados em 2012, mas o do leite deverá aumentar de US$ 18,50 por 100 libras (US$ 40,8/100 kg) para uma média de US$ 18,90/100 libras (US$ 41,6/100 kg) em 2013, de acordo com as projeções da agência.

O economista agrícola da Universidade de Missouri, Scott Brown, falou sobre a política leiteira dos Estados Unidos em sua apresentação. Ele disse que ainda é muito cedo para se ter uma boa ideia de como será a política leiteira em 2013. “Eu acho que existem várias questões orçamentárias que precisam ficar mais claras antes de podermos debater políticas agrícolas”, disse ele. Com os altos custos da alimentação animal, os produtores estão interessados em maneiras de proteger suas margens de lucro ao invés de meramente focar no preço, disse ele.

Contudo, Brown disse que o declínio no patamar do orçamento para programas leiteiros torna qualquer abordagem difícil. O Serviço Orçamentário do Congresso estabeleceu em fevereiro o patamar de gastos em programas leiteiros do ano fiscal de 2014 a 2023 em US$ 28,4 milhões por ano. Isso é apenas uma fração do que era há sete anos. “É difícil escrever uma política leiteira que gaste somente US$ 30 milhões anualmente e que tenha muito efeito na indústria”, disse ele, citando que a receita da indústria leiteira em 2012 totalizou cerca de US$ 37 bilhões.

Ele disse que tentar aferir os custos para o governo com uma nova abordagem de margem de proteção para a política da indústria leiteira não é fácil e que a resposta dos produtores também é questionável. “O custo e a efetividade desses programas é uma das minhas maiores preocupações”.

O gerente geral de serviços técnicos da Fonterra USA, Anand Rao, disse durante sua apresentação que a indústria de lácteos tem visto mais volatilidade e convergência nos preços globais de seus produtos. Rao afirma que o acréscimo na demanda de importação da China beneficiou os Estados Unidos, a Nova Zelândia e outros importantes exportadores de lácteos e que o aumento nos mercados emergentes está direcionando uma forte demanda global por produtos lácteos. Com a demanda por proteína láctea aumentando pelas populações que estão envelhecendo na Europa, Estados Unidos, Japão e China, Rao disse que a previsão é positiva para um contínuo crescimento nas exportações no setor leiteiro.

A reportagem é do Dairy Herd, traduzida e adaptada pela Equipe MilkPoint.
 

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