terça-feira, 30 de dezembro de 2014

-VAMOS CONVIVER COM AS CASTANHEIRAS DA PRAIA DA COSTA.

HOJE, 30 de dezembro de 2014, quando fui fazer as duas fotografias abaixo, desta bela e bondosa castanheira, ouvi uma voz me solicitando um minuto de minha atenção.

                       - Antes de fazer a fotografia gostaria de lhe fazer um desabafo, em função do fato de que o veja sempre passar por aqui e até em mesmo ficar protegido do Sol sob as minhas folhas.

    - Sem problema. Não estou com pressa. Pode falar e fazer o seu desabafo.

                     - O Senhor me conhece há muitos anos, sempre fiz ponto nesta maravilhosa Praia da Costa.

-Eu sei disto, agora pode falar.

                   - Eu todas as demais minhas irmãs castanheiras daqui da Praia da Costa estamos condenadas e proibidas de gerarmos outras castanheiras. 

- Como assim, explica melhor.

                           - Os frutos que anualmente nós produzimos e depois os distribuímos ao nosso redor, por uma consequencia natural vai gerar uma nova castanheira, que vai gerar sombra e proteger vocês humanos dos raios solares, que aliás neste ano que está terminando está muito violento. 

- Vá direto ao assunto.

                          - Sob alegação de que somos uma planta invasora, assim que uma semente germina e emite algumas folhas, que naturalmente se tornam visíveis, lá vem a condenação: morte ao invasor. Minhas filhas são arrancadas do solo e logo em seguida morrem. Assim, quando eu morrer não haverá uma descendente minha aqui na Praia da Costa.

                           - Mas pensando bem você é realmente uma planta invasora, mas invasor também são as pessoas. O dono original seria o índio. O branco, o amarelo, o negro, todos vieram de outras terras.

                      - Mas é isto que tento falar, mas ninguém me ouve. Alguns passam horas debaixo de minha sombra. Tem uns que trazem os seus cachorros que fazem xixi e cocô nos meus pé. Isto não é problema, porque eu reciclo os dejetos e a vida segue.  Falo. Falo. Falo. Mas não me ouvem. Imagino que nem estão me vendo.

- Vou fazer o registro de sua indignação, que também é minha.
-VAMOS CONVIVER COM AS CASTANHEIRAS DA PRAIA DA COSTA. 
- VAMOS PRESERVÁ-LAS E DEFENDER O DIREITO DELAS GERAREM NOVAS CASTANHEIRAS.


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