quinta-feira, 12 de março de 2015

Secretário discute impactos da estiagem na Assembleia


10/03/2015 - 15:26
 
 
O secretário de Estado da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca, Octaciano 
Neto, afirmou que a participação da sociedade civil organizada no processo de construção 
de um plano de adaptação às adversidades climáticas é fundamental para que as ações a 
médio e a longo prazo possam ser efetivamente implantadas. Octaciano Neto participou
 de uma audiência pública da Comissão de Agricultura da Assembleia Legislativa, 
na manhã desta terça-feira (10), que contou com a presença de prefeitos, vereadores, 
gestores públicos, representantes de entidades ligadas ao setor agropecuário e produtores 
rurais capixabas.

O secretário apresentou um balanço dos impactos causados pela estiagem prolongada e 
detalhou também as ações que o Governo vem desenvolvendo para enfrentar a 
seca. A agropecuária capixaba já projeta para 2015 um prejuízo de aproximadamente
 R$ 1,7 bilhão, tendo como base a produção e o faturamento dos produtores rurais 
no ano de 2014. Cafeicultura, pecuária de leite e fruticultura amargam as piores perdas.

O Espírito Santo vive uma das mais graves estiagens de sua história. O mês de janeiro 
foi o mais seco desde que tiveram início as medições, em 1931. A expectativa é que as 
chuvas em março fiquem ligeiramente acima da média histórica em algumas regiões 
e que em abril chova dentro da média. Mesmo com a expectativa de que as chuvas
 ocorram dentro do padrão climatológico esperado, o secretário de Estado da Agricultura 
ressalta que a deficiência hídrica acumulada entre 2014 e o início de 2015 não será 
compensada.

Perda bilionária

Somente na cafeicultura as perdas já chegam à casa de R$ 1 bilhão, uma redução 
de 33% na produção. Os prejuízos na fruticultura ultrapassam os R$ 300 milhões - 
30% a menos na produção-, e na pecuária de leite R$ 150 milhões - queda de 31%
 na produção. As culturas do feijão e do milho já apresentam uma redução de 
50% e 56% na produção, respectivamente. Na olericultura, as perdas alcançam 
36% da produção e a cana-de-açúcar registra uma produção 33% menor do que 
em 2014.

“Adotamos um conjunto de ações emergenciais de enfrentamento da seca, como 
a implantação do Comitê Hídrico Governamental; a mobilização dos usuários
 das bacias hidrográficas; a liberação do abate de vacas no terço final de gestação; 
a declaração de cenário de alerta; a suspensão da emissão de autorizações
 para a queima controlada e a gestão para que as dívidas do crédito rural sejam 
prorrogadas pelas instituições financeiras”, afirmou Octaciano Neto, ressaltando 
que o Governo está validando também a decisão de construir 60 barragens 
de uso coletivo no Estado.

O secretário destacou, ainda, que o Governo do Estado está empenhado em colocar 
em prática um plano de adaptação às adversidades climáticas que tenha um olhar 
prioritário para dimensões bem definidas, como a ampliação da cobertura vegetal, 
a reservação de água, o manejo, o planejamento, o saneamento e o uso e a ocupação
 do solo e a educação. “Esse é um trabalho que envolve a participação de 
vários órgãos governamentais e, principalmente, a mobilização da sociedade civil 
organizada. E é justamente nos Comitês de Bacias Hidrográficas que se dará uma 
 discussões mais importantes, que diz respeito à outorga e à cobrança pelo 
uso da água”, ressaltou.

Debate

O reflorestamento foi citado pelos parlamentares como uma das alternativas 
que devem ser reforçadas pelo poder público. A deputada Raquel Lessa citou a
 importância do envolvimento dos produtores rurais. “Quando chamamos o agricultor 
para ajudar nesse processo, com o reflorestamento, por exemplo, nós encontramos 
apoio. Hoje o produtor agrícola olha sua propriedade com uma visão de empresa, 
de gestão. Os produtores sabem da importância do reflorestamento e tenho 
certeza que são grandes parceiros”, afirmou a deputada.

A presidente da Comissão de Agricultura, deputada Janete de Sá, afirmou que
 um documento contando as sugestões apresentadas durante a audiência
 pública será encaminhado ao Governo do Estado. “Colhemos importantes 
sugestões como a catalogação de nascentes em municípios e propriedades 

rurais, ações de desassoreamento de rios, maior agilidade na concessão de
 outorgas de água, entre outras. A Comissão também vai dar continuidade a 
essa discussão com os comitês de bacias hidrográficas. Vamos propor, ainda,
 a criação de uma Frente Parlamentar da Água, para tratar de diversos temas
 relacionados à água, como a preservação e qualidade desse recurso
 fundamental para a vida”, pontuou.
Informações à Imprensa:
Assessoria de Comunicação da Seag
Daniel Simões
27 98849 9814 - 27 3636-3700

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