Adolescente, fiz promessa de fazer retiro espiritual, no Colégio Cristo Rei. Foi no carnaval, para o sacrifício ser maior.
Eu não era boa aluna.
A promessa era uma "barganha" com os santos para eu passar de ano.
Deu certo. Eu passei.
Lá fiz amizade com outra adolescente, Maria Helena Caiado, cuja amizade resistiu a todos esses anos. O motivo dela estar no retiro era diferente do meu. Ela tinha perdido a avó que ela tanto amava e o pai decretou luto - sem carnaval.
Foi quando ela decidiu ir para o retiro. Nós duas éramos as únicas adolescentes e as "carolas" queriam saber o que estávamos fazendo lá. Inédito!!! Os horários eram rígidos.
Rezava-se o dia todo - antes das refeições, ao acordar, antes de dormir e novenas a tarde. A comida era boa mas o café da manhã eu e minha amiga detestávamos.
Isso porque todos os dias vinha banana nanica e a gente não gostava. Enquanto estávamos lá ganhando indulgências, enquanto comíamos banana nanica no café da manhã, um sorvete seria a melhor opção para duas inocente aprendizes de noviciado.
As freiras eram muito cuidadosas com a gente. Promoveram um teatro e como éramos crianças, nosso papel na peça era de filhas. No segundo dia, quando a
freira bateu palmas para nos acordar, levantamos rapidamente
e ficamos em pé ao lado da cama para a oração matinal
. Algo inusitado aconteceu. Confetes
e serpentinas voaram pelos ares. Era muito confete.
A noite,
enquan
to dormíamos, colocaram aqueles pedacinhos de papel coloridos debaixo dos nossos lençóis. Ninguém confessou o delito.
Ouvimos sermões e fizemos penitência - agora a reza era de joelhos
.
Fazer retiro foi uma
experiência maravilhosa e inesquecível. O lucro ficou por conta dessa amizade duradoura. Nem casamento dura tanto tempo. Abraços fraternosHelena
Nenhum comentário:
Postar um comentário