Ela foi o delírio erótico de toda uma geração de brasileiros. Vedete do teatro de revista, dançava nua, com cobras enroladas no corpo e inventou o biquíni. Era tão ousada que sua família, escandalizada, costumava interná-la em hospícios, achando que ela não podia ser normal. Luz Del Fuego criou a primeira colônia de nudistas do Brasil, numa ilha. E a sua ilha ficou mundialmente famosa. Astros de Hollywood se hospedaram lá mas foi também lá, na sua ilha, que Luz morreu assassinada. Dora Vivacqua, o verdadeiro nome dela, nasceu em 21 de fevereiro de 1917 em Cachoeiro do Itapemirim, Espírito Santo. Era a décima dos 15 filhos do casal Etelvina e Antonio.
Quando seu pai foi assassinado, ela foi viver no Rio com Atílio Vivacqua, um de seus irmãos.
Aos 19 anos se apaixonou por um jovem de família tradicional do Rio de Janeiro, José Mariano Carneiro da Cunha Neto. Atílio, seu irmão, tentando separar o casal porque sabia que não ia dar certo, mandou Dora de volta para Belo Horizonte. Ela então passou a morar com Angélica, uma de suas irmãs. Também não deu certo porque, um dia, Angélica flagrou o marido na cama, com Dora. O marido de Angélica era um empresário de renome em Minas Gerais, era um ótimo casamento. Angélica e a família preferiram colocar a culpa em Dora e a internaram num hospício onde ela passou dois meses e perdeu dez quilos.
Achiles, um de seus irmãos, tirou-a do sanatório e a levou para viver na fazenda do outro irmão, Achilau.Também não deu certo porque Dora resolveu desfilar pela propriedade vestida de Eva, usando apenas folhas de parreira.
Resultado? Hospício de novo, mas, agora, no Rio de Janeiro. Mais uma vez, foi salva por uma irmã, Mariquinhas, que a tirou de lá e a levou para morar com ela, em Cachoeiro.
Ela tinha apenas 20 anos quando fugiu para o Rio e foi viver com José Mariano, sem querer se casar com ele. Brigavam muito porque Dora não queria saber de monotonia. Quis ser paraquedista. Ele a impediu. Então ela foi estudar dança na academia de Eros Volúsia.
Foi assim que, em 1944, Dora virou Luz Divina, abalando o Rio de Janeiro com uma temporada de apresentações no Circo Pavilhão Azul, anunciada como a mais corajosa dançarina, já que ia para o palco com Cornélio e Castorina, um casal de jiboias de estimação que se enrolavam pelo corpo de Dora. E ela começou a ficar famosa. Virou Luz del Fuego em 1947, por sugestão do palhaço Cascudo. Então, no alvorecer dos anos 1950, Luz era famosa, desejada e independente. Estaria tudo maravilhoso, se não fosse... a família!
Seu irmão Atílio agora era senador. Como explicar a irmã vedete? Naquele tempo, vedete e prostituta significavam a mesma coisa para a opinião pública preconceituosa.
Luz escreveu um livro de memórias. Atílio quase enlouqueceu. Conseguiu comprar metade da edição e botou fogo nos livros. Nessa época, Luz começou a falar em nudismo. Ia com amigos para as praias desertas do Rio e todos tiravam a roupa. Foram todos presos. Aí, ela escreveu outro livro, “A Verdade Nua”. Desta vez a família nem precisou tomar providências, porque o livro foi imediatamente censurado e recolhido pela polícia.
Só que ela não desistia. Mandou fazer uma outra edição e vendia pelo correio. Ganhou um dinheirão e conseguiu arrendar uma pequena ilha, onde fundou sua primeira colônia de nudismo.
Durante toda a década de 1950 Luz excursionou Brasil afora, em turnês cujos cachês serviam também para as muitas doações que ela fazia a instituições beneficentes. Mas o problema era mesmo a família. Irmão senador, cunhado empresário famoso em Minas, outros irmãos donos de estabelecimentos comerciais bem sucedidos.
Cada vez que uma revista publicava reportagens e fotos de Luz o irmão senador saía feito louco tentando comprar todas as revistas de todas as bancas de jornais do país. Mesmo assim, ele perdeu as eleições para governador do Espírito Santo porque os outros candidatos viviam dizendo que ele tinha uma “irmã demoníaca” que dançava nua com cobras enroladas no corpo.
Namorando nada mais nada menos que o Ministro da Marinha, Luz conseguiu uma ilha maior para instalar sua colônia nudista. Foi assim que nasceu a “Ilha do Sol”, que se tornou a grande sensação do turismo carioca. Astros de Hollywood frequentavam a ilha. Seriam hoje os Brad Pitt e Angelina Jolie da vida. Eram Lana Turner, Ava Gardner, Tyrone Power, Errol Flynn, Glenn Ford, Cesar Romero, Brigitte Bardot... e outros. Jane Mansfield foi até lá com o marido mas não deixaram que ela entrasse porque ela se recusava a ficar nua. Steve Mac Queen teve um ataque histérico ao acordar com as cobras de Luz enfiadas em sua cama.
Era o auge do sucesso.
Nos anos 60 Luz passou a viver na Ilha do Sol. Suas reservas financeiras foram terminando, a idade foi chegando e o mito começou a desaparecer. Seus amantes já não eram homens influentes e ricos. A Ilha do Sol já não era frequentada por astros de cinema, mas por gente comum, entre eles os irmãos Alfredo Dias e Mozart Gaguinho, os assassinos dela. Quem descobriu o crime, ocorrido em 19 de julho de 1967, foram dois jornalistas, um de O Dia e outro da Última Hora, respectivamente Mauro Dias e Mauro Costa. Alfredo foi preso e confessou. Gaguinho escapou de forma espetacular, trocando balas com a polícia durante quinze dias. Somente depois de ter matado um cabo, as autoridades deram importância ao caso. A morte de Luz del Fuego não era nada demais, mas a de um cabo, em plena ditadura militar, era coisa séria.Condenado a pena máxima, cumpriu no manicômio judiciário do Rio de Janeiro. Seu irmão cúmplice, Alfredo, se tornou evangélico na prisão e acabou escrevendo um livro, onde narra o crime em detalhes, chamado “A Tragédia da Ilha do Sol”.
Luz tinha apenas 50 anos quando morreu.
O assassinato: Em 19 de Julho de 1967 os irmãos Alfredo Teixeira Dias e Mozart "Gaguinho" Dias armaram uma emboscada para Luz del Fuego. As ações criminosas de Mozart haviam sido apontadas à polícia por Luz e ele queria se vingar. Atraiu Luz ao seu barco e a matou. Fez o mesmo com o caseiro Edgar.
Nos anos 60 Luz passou a viver na Ilha do Sol. Suas reservas financeiras foram terminando, a idade foi chegando e o mito começou a desaparecer. Seus amantes já não eram homens influentes e ricos. A Ilha do Sol já não era frequentada por astros de cinema, mas por gente comum, entre eles os irmãos Alfredo Dias e Mozart Gaguinho, os assassinos dela. Quem descobriu o crime, ocorrido em 19 de julho de 1967, foram dois jornalistas, um de O Dia e outro da Última Hora, respectivamente Mauro Dias e Mauro Costa. Alfredo foi preso e confessou. Gaguinho escapou de forma espetacular, trocando balas com a polícia durante quinze dias. Somente depois de ter matado um cabo, as autoridades deram importância ao caso. A morte de Luz del Fuego não era nada demais, mas a de um cabo, em plena ditadura militar, era coisa séria.Condenado a pena máxima, cumpriu no manicômio judiciário do Rio de Janeiro. Seu irmão cúmplice, Alfredo, se tornou evangélico na prisão e acabou escrevendo um livro, onde narra o crime em detalhes, chamado “A Tragédia da Ilha do Sol”.
Luz tinha apenas 50 anos quando morreu.
O assassinato: Em 19 de Julho de 1967 os irmãos Alfredo Teixeira Dias e Mozart "Gaguinho" Dias armaram uma emboscada para Luz del Fuego. As ações criminosas de Mozart haviam sido apontadas à polícia por Luz e ele queria se vingar. Atraiu Luz ao seu barco e a matou. Fez o mesmo com o caseiro Edgar.
Abraços Fraternos,
Helena
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