O Espírito Santo é um dos estados com a maior diversificação étnico-cultural do Brasil. Aqui temos povos com muita tradição como os índios, os portugueses, os africanos, os italianos, pomeranos, poloneses, suíços, austríacos, entre outros ajudam a construir essa identidade linda do povo capixaba. Esses povos tradicionalmente dão um colorido todo especial ao nosso mapa cultural na língua, na música, na dança, no folclore, no artesanato, na culinária, na arquitetura, na vestimenta, na agricultura familiar, entre outras manifestações típicas. Tudo isso já podemos notar em literatura, filmes documentários, músicas e teses universitárias produzidos nos últimos trinta anos. Basta um pouco de pesquisa até mesmos nas redes sócias encontramos muita coisas destes povos que a séculos vivem aqui e tentam fazer parte da curtição da nossa juventude capixaba.
Fazer cultura capixaba nada mais é do que pegar essas manifestações tradicionais e apresentá-las em nossas festas, eventos, jornais, rádios, TVs, praças, palcos, restaurantes, feiras, mas de forma muito critica e especial nas pesquisas e eventos escolares ou universitários ou promovidos pelas secretarias municipais ou estaduais de cada um desses diversos setores das nossas manifestações culturais. Negar essa identidade cultural capixaba é assinar um certificado de analfabeto cultural. É admitir que o estado do Espírito Santo é um dos mais pobres da nossa nação culturalmente falando quando na verdade a história, o nosso mapa étnico mostra que não é. Na verdade faltam sim muitas pesquisas nas nossas universidades e interesse das escolas e dos setores públicos municipais e estaduais.
Esses dias fiz uma análise critica de 20 escolas da minha região e cheguei a uma conclusão muito triste culturalmente falando. E penso que lamentavelmente esse parece o quadro do nosso Estado como um todo. Cada escola organizou um grupo de danças. De 20 grupos de danças criados 9( 45%) tinham o nome inglês, 8(40%) brasileiro, 3(5%) não responderam. Nenhum grupo tinha nome capixaba ou relacionado aos grupos étnicos citados acima. Com relação as danças apresentadas o resultado não foi muito diferente: 13(65%) apresentaram uma dança inglesa ou relacionada a cultura dos Estados Unidos, 6(30%) brasileiras; 1(05%) afro e 1(05%) não respondeu. Nenhuma dança capixaba ou relacionada aos grupos colonizadores acima.
Os resultados dispensam comentários. Falam por si. Alguém pode dizer que as danças culturais do nosso estado “são bregas”. Outros podem dizer que desconhecem danças capixabas ou dos grupos citados acima que colonizaram o nosso estado. Ou simplesmente podem dizer que cultura é todo tipo de dança. Sinceramente a cultura de fora que ocupa o lugar da cultura local não é cultura. A dança ou música que ocupa o lugar que deveria ser da nossa identidade histórica e cultural, ainda mais nos sagrados palcos ou bancos escolares massacrando as nossas lindas manifestações típicas desse lindo e diversificado povo que construiu esse estado nunca poderá ter o seu lugar ocupada por outra alienante que nos coloca como um dos povos mais subdesenvolvidos do Brasil. “O capixaba dança conforme a música” (Estrangeira?). Não tem identidade?E já dizia o velho filosofo, “quando não se sabe o que fazer é melhor fazer nada.”
A um ano atrás fiquei triste ao tentar colocar no Aeroporto de Vitória dos livros: um meu e outro da minha filha sobre a identidade cultural capixaba. Não consegui porque teria que fazer contato com a empresa em São Paulo. Depois tentei entregar os mesmos livros numa Universidade do Espírito Santo. Também não consegui porque a pessoa que ia receber os livros disseque teria que fazer uma justificativa com boa argumentação para depois enviar os livros.
Depois de tudo isso entendi porque o Espírito Santo não aparece na mídia ou contexto nacional como o pequeno Rio de Janeiro, como a Bahia, Pernambuco, Santa Catarina ou outros estados com menor ou igual diversidade e identidade rica culturalmente falando.
Se as escolas, as faculdades e setores públicos responsáveis não valorizam a nossa identidade histórica e cultural, as nossas tradições ou não são capazes de fazer com que a juventude curta ou transforme em curtição as nossas manifestações culturais o que esperar dos empresários, da mídia e de outros setores da sociedade? JORGE KUSTER JACOB – professor e sociólogo de Vila Pavão ES
Li seu texto hoje e concordo com voce plenamente
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