O artista precisa dos aplausos; O cômico, da risada; O ator precisa passar sentimento;
O escritor, vender seus livros; O dramaturgo emocionar; O artista de rua, a moeda em seu chapéu;
O apresentador de TV precisa audiência; A LuluArtes precisa de encomendas ao seu produto;
Isso em relação a arte porque na vida, mais que qualquer coisa, precisamos uns dos outros.
A cada época da vida temos uma rotina que muda através do tempo. Cada período desse, rende uma estória pitoresca ou trágica. Vamos a essa: Em determinados dias da semana, Gildo e amigos se reuniam na casa de Luiz Albano, para jogar carta. A casa do amigo era bem próxima da nossa. Quase vizinhos. Se eu precisasse dele, sabia onde o encontrar. Em uma dessas noites a turma resolveu interromper o jogo para ir a Guarapari. Lá chegando eles foram para o clube - hoje chamaríamos de balada. Eles se sentiam livre, leve e soltos. Todos xavecando mulheres no salão, outros em pé sobre as mesas chamando-as. As famílias de todos eles passavam o verão na praia, menos eu que trabalhava duro nessa época, confeccionando uniformes escolares. Nunca suas mulheres poderiam imaginar que seus maridos estivessem em outro lugar a não ser jogando em Cachoeiro. Muito menos eu. Para azar deles, suas mulheres os descobriram. Uma delas adentrou o salão e levou seu marido pelas orelhas. Além do barraco, foi humilhante para ele. Gildo estava morrendo de medo de eu saber. Então ele engendrou um plano com a ajuda de seu amigo Lacy Pereira. Estávamos na Malharia (MALHARIA HELENA) quando o amigo apareceu pedindo para Gildo levá-lo a Guarapari, o que ele logo rechaçou. Lacy insistiu tanto e ficaram nessa briguinha, até que Lacy apelou pra mim. Gildo, reclamando muito, foi. Pela madrugada, quase manhãzinha, Gildo chegou de Guarapari contando o que havia acontecido. Zoava do amigo que saiu do salão puxado pelas orelhas, contou que ele subiu na mesa e chamava todas mas que não passou disso. Só não disse que o fato havia acontecido na véspera. No final da semana estive com minhas amigas que me contaram, em detalhes, mas eu já sabia. E como eu já sabia o impacto foi menor. Era tudo o que Gildo precisava. O plano dele deu certo. Tenho que reconhecer que foi um plano bem bolado. Tacada de Mestre. Um ano depois, fiquei sabendo a verdade. Eu estava trabalhando na Malharia quando chegou Tito Albano, vindo de São Paulo. Ele não sabia de nada. Gildo mesmo contou ao amigo, na minha frente. Eu não acreditava no que estava ouvindo. Os dois riram pra valer. Enfim, ele queria que eu soubesse.
Abraços fraternos,
Helena
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