Modéstia à parte, sou bisavó de seis. Três já entre nós - Caio, Annabelle, Hugo e três a caminho. A mensagem de hoje vai endereçada a minha neta Laís, que espera uma bebezinha. Ela encontrou na medicina solução para um problema genético que, certamente, vem da minha família. Nos idos 1956, Gildo e eu, chegávamos ao Rio de Janeiro, em avião de carreira, para desfrutar a tão sonhada "lua de mel". Experiência única e inesquecível para todos e mais ainda pra mim. Assim que chegamos ao Rio, uma dor insuportável me levou a atendimento médico de urgência. Diagnóstico - apêndice endocecal, sujeito a perfuração do intestino. Operada naquele mesmo dia, ao ter alta, fui para a casa da minha cunhada Maria, em Ipanema. O casal precisava ficar separado. Sua filha Giselda cuidou, carinhosamente, de mim e eu nunca esqueci isso. Poucos dias depois, resolvemos dar uma fugidinha até o apartamento em Copacabana que ficava no posto seis. Fomos a pé mesmo. Em frente ao nosso apartamento havia um cinema que passava o filme "Lua de Mel Agitada" - entramos. Após o cinema fomos para o apartamento. Não imaginava que a nossa Lua de Mel seria mais agitada que no filme. Iniciamos os primeiros ensaios, já que mais complexo do que eu esperava, pegamos no sono. Pela madrugada senti que algo não estava bem. Acendemos a luz e constatamos que, realmente, algo de grave acontecera. A cama estava ensanguentada. Ao me levantar, um coágulo do tamanho de um feto saiu de mim. Foi traumatizante para nós dois. Providências logo foram tomadas, lembrando que era uma madrugada de Domingo, não havia telefone fixo onde estávamos e celulares nem existiam. Aos poucos o apartamento encheu. Eram os familiares mais próximos e um farmacêutico. Eu quase desfalecida, tomei a primeira injeção, entre outras que me foram ministradas. Mais dois coágulos vieram. Todos choravam a minha volta. Imaginavam coisas e culpavam quem nada tinha a ver com o acontecido. A ver tinha mas, não culpa. Gildo chorava muito. Depois de medicada e diante da minha negativa em ir para o hospital, eu, inocente, sentia muita vergonha e chamava por meus pais. Resolveram me levar de volta para a casa da minha cunhada. Passados mais uns quinze dias de repouso e tratamento, voltamos para Cachoeiro. A saga não parou por ai. Apresentando fraqueza fui levada ao
médico Dr. José Paes Barreto que recomendou repouso absoluto por dez dias. Durante os meses seguintes, todas as tentativas de completarmos o que havíamos começado, exigiam novas injeções, novos cuidados. O tempo passou. Na minha segunda gestação, perdi dois meninos gêmeos por hemorragia. Sofri outras tantas nas cadeiras de dentistas, na operação das amígdalas. Sempre que ia me submeter a uma intervenção cirúrgica, e contei quase vinte, tinha que fazer um tratamento prévio. A vida seguiu até chegar a terceira idade. Já viúva, tive problemas, todos ligados a esta condição. Tive trombose pulmonar, tive hemorragias diversas, varizes severas, tive problemas circulatórios. Sem contar outras doenças tais como insuficiência cardíaca, dois episódios de arritmia cardíaca, que me levaram a UTI em estado grave. Diabetes, neuralgia do nervo glossofaríngeo, depressão, síndrome do intestino irritável, DPOC doença pulmonar obstrutiva cronica e outras mais. A vida segue. Nada a reclamar. Estou com 80 anos. Estou no lucro.
médico Dr. José Paes Barreto que recomendou repouso absoluto por dez dias. Durante os meses seguintes, todas as tentativas de completarmos o que havíamos começado, exigiam novas injeções, novos cuidados. O tempo passou. Na minha segunda gestação, perdi dois meninos gêmeos por hemorragia. Sofri outras tantas nas cadeiras de dentistas, na operação das amígdalas. Sempre que ia me submeter a uma intervenção cirúrgica, e contei quase vinte, tinha que fazer um tratamento prévio. A vida seguiu até chegar a terceira idade. Já viúva, tive problemas, todos ligados a esta condição. Tive trombose pulmonar, tive hemorragias diversas, varizes severas, tive problemas circulatórios. Sem contar outras doenças tais como insuficiência cardíaca, dois episódios de arritmia cardíaca, que me levaram a UTI em estado grave. Diabetes, neuralgia do nervo glossofaríngeo, depressão, síndrome do intestino irritável, DPOC doença pulmonar obstrutiva cronica e outras mais. A vida segue. Nada a reclamar. Estou com 80 anos. Estou no lucro.
Abraços fraternos
Helena
Emocionante!
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