sábado, 7 de janeiro de 2017

Formatura. texto de Helena Machado

                Mãe de cinco filhos, capitã de indústria, segundo palavras proferidas pelo paraninfo da turma, Dr. Abigar Torres Paraíso, chegou enfim a minha formatura. Prestigiada pela família, que não era pequena, entre eles o casal João Gilberto Machado Moura e minha mana Beth, com a presença de minha mãe em sua última aparição pública, esse dia chegou trazendo a certeza de uma capacidade que eu desconhecia em mim. Cresci sendo, carinhosamente, chamada de "burrinha" por meu pai. Ele, naturalmente, não tinha noção do mau que me fazia. 
             Tive que superar esse grande obstáculo na minha juventude. Formada em professora, vinte anos se passaram quando retornei aos bancos escolares e o fiz as escondidas. Não queria que ninguém soubesse, talvez, por medo do insucesso. Todos estranharam minha ausência nas festinhas de aniversario dos familiares e vizinhos. Frequentei durante um ano o Curso Brasil, muito concorrido na época. Ele preparava os alunos para o vestibular, tendo em seu quadro docente o conceituado professor Dr. Ney Santos Vianna. Foi dele que ouvi, certa vez, que o melhor para quem vai enfrentar as provas de um vestibular, era vitamina L. Nada melhor, dizia ele. Não só eu mas, muitos colegas, desconhecíamos esta vitamina. Alguém, mais corajoso que eu, perguntou onde poderia adquiri-la. E a resposta veio incisiva: "Nos livros". E foi nos livros que eu sorvi esta vitamina milagrosa.  
                             Estava eu trabalhando na mesa de corte da Malharia (MALHARIA HELENA), quando Sylma, sobrinha de Gildo, adentrou meu local de trabalho e fazendo muita algazarra, encheu-me a cabeça de talco. Era a noticia, em primeira mão, divulgada pela Rádio Cachoeiro, que eu passara no vestibular para a faculdade de Ciências Contábeis e administração e mais ainda, que alcançara o 3o lugar entre os vestibulandos e 1o lugar do Curso Brasil. A noticia se espalhou surpreendendo a todos que desconheciam eu ter prestado vestibular. Era a gloria. O que era segredo, veio a tona. Foram quatro anos tocando a minha fabrica de uniformes escolares e frequentando as aulas. Nos finais de semana estudava em grupo, com colegas, nas dependências da Malharia. Gildo aparecia de vez em quando para conferir. Meu filho, André Luiz, me rodeava levando petiscos que a boa e inesquecível Amália, secretaria do lar, preparava. O resultado de tanto esforço veio nas notas. Levei os três primeiros anos de faculdade, alcançando as maiores notas e elogios dos professores. No último ano não foi possível o mesmo resultado, porque minha mãezinha estava muito doente e eu aproveitava todos os momentos de folga para estar ao lado dela. Esse foi o motivo pelo qual desisti de continuar os estudos, agora no curso de Direito, cujo sonho eu acalentava. Ficar com minha mãe foi a prioridade.
Abraços fraternos,
Helena💕

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