28 de Janeiro de 1967, aniversário da nossa primogênita. Não tinha festa porque minha bebê, de três meses, estava doentinha. Ela viera do hospital onde tomou soro. Estava no meu colo quando começou a vomitar. Levada ao banho, ficou roxa. Meus pais chegavam, nessa hora, para o aniversário da neta. Percebi que minha filhinha estava morrendo. Não conseguindo ligar para o pediatra, meu pai me levou de carro a casa dele. Dr. Gilson Carone e a esposa Heliene nos acompanharam. O caso era muito grave. Eles a pegaram no colo e levaram ao hospital, seguindo na frente. Ainda nos corredores, começou a tomar soro. Gildo tinha viajado a Marataízes levando a mudança de um amigo. O primeiro frasco de soro salvou, naquele momento, a vida do meu bebê. Quando foram trocar o frasco, a agulha soltou do bracinho dela. Isso aconteceu nas mãos de Heliene que sofreu muito com a luta pela vida que se sucedeu. As veias haviam colabado. Dr Humberto Fontenelle foi chamado. Ele morava ao lado da Sta Casa. Ele e Dr Gilson Carone foram incansáveis. Outros médicos juntaram-se a equipe. Sem êxito, decidiram colocar o soro, diretamente, nos músculos. Primeiro nas nádegas que foram inchando. Depois na cabeça, na testa e foi mudando de local. Dr. Gilson e Heliene tomaram a iniciativa e a batizaram. Eles mesmos foram os padrinhos. Gildo foi trazido pelo Dr. Albino Moreira e tomou conhecimento do estado grave da filha. Me vendo no corredor rezando, chegou pra mim e disse: "ela não é nossa". Pedia para eu aceitar mas, eu me negava. Dr. Albino sugeriu chamar mais um medico para integrar a equipe. Dr. Diógenes Gomes Novo era especialista em veia. Levaram a bebê para o centro cirúrgico e durante o procedimento, ela teve a primeira parada cardíaca. Dr Albino, que assistia a tudo, saiu para dar a noticia ao Gildo. Nada mais restava a fazer. Ele abre a porta e dá comigo de joelhos rezando. Sem coragem, voltou. Conseguiram reverter o quadro. O coração voltou a bater. Dali foi para o quarto e tivemos que pegar mais outro apartamento, para receber as muitas visitas que chegavam e para reservarmos no atendimento. Foram 30 dias de internação. Outras duas paradas cardíacas fizeram Gildo me abraçar e pedir para eu entregar nossa filha a Jesus, como ele estava fazendo. Vi e acompanhei eles trocarem o sangue da minha bebe. Lembro-me bem que a minha cunhada Cenira estava presente. Tiraram o sangue dela e colocaram outro. Heliene revezava as noites ao lado da, agora, sua afilhada, e em uma dessas noites ela teve a visão de uma entidade ao lado de nossa filhinha. Quando entrei no quarto, naquela madrugada, encontrei-a sob a forte emoção do inusitado momento. Ela sentiu a mão da entidade na sua. Era Carnaval e tudo se tornava mais difícil nesse período. Durante esses trinta dias o consultório do Dr. Gilson Carone passou a ser o apartamento n. 9 da Santa Casa. Ele não saiu da cabeceira da nossa filha. Ele tinha a colaboração de um especialista de renome. Arrumamos as malas e seguimos na madrugada para o Rio de Janeiro, onde o mesmo medico que acompanhava o caso junto ao Dr. Gilson Carone, foi ao nosso encontro, na estrada, antes de seis horas da manha. Sua primeira intervenção foi indicar leite materno, para restabelecer a flora intestinal. Recorremos a Cruz Vermelha imaginando que o problema estava resolvido. Depois de dois dias caiu uma chuva torrencial no Rio e as doadoras de leite não compareceram. Minha filha precisava do leite materno e eu não tinha. Passei os dias e as noites coletando leite. Peito esfolado, gota a gota fui extraindo o leite. Foi muito sofrimento. Noites e noites acordada. No fim de quinze dias minha bebê começou a sugar. Gildo e eu caímos de joelhos agradecendo a Deus.
Nossa filha foi salva pela competência e abnegação dos médicos que a assistiram e, comprovadamente, por uma plêiade de benfeitores espirituais. O espírito André Luiz esteve presente ao lado de nossa bebê e foi visto por quem a acompanhava naquele momento. Na mesma noite fomos informados da presença dele em uma casa espírita, de onde nos enviou uma mensagem tranquilizadora. Nossa filhinha cresceu saudável mas os cabelinhos eram poucos devido a grande quantidade de antibióticos. Aos que perguntavam por seu cabelo, ela respondia: "papai vai comprar uma peruca pra mim". Em homenagem ao espírito benfeitor que assistiu nossa filha Gilda, demos o nome do nosso caçula, que veio depois dela, de André Luiz. Nossa eterna gratidão ao Dr. Gilson Carone e Heliene, que fez sua viagem hoje, para junto do Senhor e do seu amado. Ela tem um currículo invejável para entrar nos paramos celestiais.
Abraços fraternos,
Helena
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