terça-feira, 17 de janeiro de 2017

CINOFOBIA. texto de Helena Machado

     Meu cunhado, Gilceu Machado, havia falecido naqueles dias. Eu estava na casa de meus pais, no centro da cidade, quando pedi meu irmão para me acompanhar até ​a minha casa. Ele assistia a um jogo de futebol do seu Botafogo. O tempo passando e ele me enrolando. Decidi não esperar mais e fui embora. Já perto de casa avistei um cachorro deitado, pêlo amarelo, que não tinha nenhum motivo para eu temer. Ali morava o Chicão Madureira, portanto cachorro caseiro, vira-lata. Mas pânico não se exp​​li​c​a e eu tinha trauma de cachorro sem nem saber por que. 
        ​​
E​ssa era a rua principal, já deserta pelo avançar das horas, porém iluminada.​
​        ​Para fugir do cachorro, procurei a rua atrás dessa e fiquei recostada, por muito tempo, no portão da casa de meu falecido cunhado. Era tarde e todos dormiam. Minha casa estava perto mas, tinha que passar por um trecho conhecido por "buraco do sapo" (onde hoje é o Clube Ita) que era escuro e perigoso. Até que veio aproximando um rapaz. Eu vi que ele tinha os olhos muito azuis. Eu o abordei perguntando: quem é você? Ele se identificou. Era um morador dali, irmão do Clézio Santos. Eu pedi se ele poderia me acompanhar até a minha casa e ele, gentilmente, aceitou. Gildo que aguardava da janela,  preocupado, desceu ao nosso encontro já meio bravo. Os "Machados", tinham fama de bravos. E eram. Quando o rapaz viu o Gildo teve medo. Gaguejava e tremia tentando explicar por que estava com a mulher dele, saindo do "buraco do sapo" aquela hora da noite. Nunca esqueci a cena. Coitado do gentil rapaz!!!. Apesar de bravo, Gildo agradeceu. 
        Quase vinte anos depois​, quando ​​
​ 
​​​cursava a faculdade, eu dava carona
p​ara um colega ​das​ ​​redondezas e o deixava na pracinha. Todos os dias. Depois fiquei sabendo, por ele mesmo, que ele era o tal rapaz de olhos azuis.

      Procurando Terapia para meu pânico: "...é essencial que a pessoa busque identificar quais foram as experiências passadas ou quais características próprias que a levaram a desenvolver esse medo. Só assim será possível encontrar o tratamento 
​ ​adequado para o problema".
​ 
​       Eu tinha quatro anos, morava numa vila em Muriaé MG, quando fiquei emburrada e adormeci. Uma vizinha e amiga da minha mãe, Dona Gertrudes, tentou me acordar e não conseguindo, pegou o cachorro dela, chamado Rex e jogou sobre mim. Ele latia sem parar e me fuçava.
​ ​
      Eu não lembro de mais nada. Não lembro nem do tamanho do meu medo. E​sse episódio​  só veio a minha ​​memória quando tentava 
​ entender meu pânico ao ver cachorro. Era uma fobia irracional. Nem eu​
​ nem ninguém entendia. E assim encontrei a cura.
Abraços fraternos,

Helena💕

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