Meu cunhado, Gilceu Machado, havia falecido naqueles dias. Eu estava na casa de meus pais, no centro da cidade, quando pedi meu irmão para me acompanhar até a minha casa. Ele assistia a um jogo de futebol do seu Botafogo. O tempo passando e ele me enrolando. Decidi não esperar mais e fui embora. Já perto de casa avistei um cachorro deitado, pêlo amarelo, que não tinha nenhum motivo para eu temer. Ali morava o Chicão Madureira, portanto cachorro caseiro, vira-lata. Mas pânico não se explica e eu tinha trauma de cachorro sem nem saber por que.
Procurando Terapia para meu pânico: "...é essencial que a pessoa busque identificar quais foram as experiências passadas ou quais características próprias que a levaram a desenvolver esse medo. Só assim será possível encontrar o tratamento adequado para o problema".
Essa era a rua principal, já deserta pelo avançar das horas, porém iluminada.
Para fugir do cachorro, procurei a rua atrás dessa e fiquei recostada, por muito tempo, no portão da casa de meu falecido cunhado. Era tarde e todos dormiam. Minha casa estava perto mas, tinha que passar por um trecho conhecido por "buraco do sapo" (onde hoje é o Clube Ita) que era escuro e perigoso. Até que veio aproximando um rapaz. Eu vi que ele tinha os olhos muito azuis. Eu o abordei perguntando: quem é você? Ele se identificou. Era um morador dali, irmão do Clézio Santos. Eu pedi se ele poderia me acompanhar até a minha casa e ele, gentilmente, aceitou. Gildo que aguardava da janela, preocupado, desceu ao nosso encontro já meio bravo. Os "Machados", tinham fama de bravos. E eram. Quando o rapaz viu o Gildo teve medo. Gaguejava e tremia tentando explicar por que estava com a mulher dele, saindo do "buraco do sapo" aquela hora da noite. Nunca esqueci a cena. Coitado do gentil rapaz!!!. Apesar de bravo, Gildo agradeceu.
Quase vinte anos depois, quando
Quase vinte anos depois, quando
cursava a faculdade, eu dava carona
para um colega das redondezas e o deixava na pracinha. Todos os dias. Depois fiquei sabendo, por ele mesmo, que ele era o tal rapaz de olhos azuis.
Procurando Terapia para meu pânico: "...é essencial que a pessoa busque identificar quais foram as experiências passadas ou quais características próprias que a levaram a desenvolver esse medo. Só assim será possível encontrar o tratamento adequado para o problema".
Eu tinha quatro anos, morava numa vila em Muriaé MG, quando fiquei emburrada e adormeci. Uma vizinha e amiga da minha mãe, Dona Gertrudes, tentou me acordar e não conseguindo, pegou o cachorro dela, chamado Rex e jogou sobre mim. Ele latia sem parar e me fuçava.
Eu não lembro de mais nada. Não lembro nem do tamanho do meu medo. Esse episódio só veio a minha memória quando tentava
entender meu pânico ao ver cachorro. Era uma fobia irracional. Nem eu
nem ninguém entendia. E assim encontrei a cura.
Abraços fraternos,
Helena
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