sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Amigos do goró. texto de Helena Machado

                      Estas me foram passadas por nosso amigo Gilson Leão e eu cheguei a compartilhar aqui. O grupo era pequeno, portanto, poucos as conhecem.  De Ronaldo Vargas e Fernando Judice, muita coisa há de se lembrar. Se souberem outras, me mandem para compartilharmos com os amigos. Com certeza vai valer a pena. A história se deu em Guarapari, no Porto do Sol, quando Ronaldo Vargas e Fernando Judice acompanhados de familiares, esperavam pela famosa moqueca a capixaba, que não ficava pronta. Quando o garçom, finalmente, chegou com o peixe fumegante, um dos dois, ou os dois - Ronaldo contava que havia sido Fernando e Fernando jurava que havia sido Ronaldo - pegou a moqueca e jogou pela amurada do restaurante. Depois olhou pra família, desconsolada, e disse na maior cara de pau: demorou muito.

                   Esses mesmos dois, certa vez, esperavam a comida no restaurante Belas Artes, que estava demorando muito. Revoltados com a demora, pegaram um mamão e jogaram no ventilador de pé. Dizem que Joãozinho Misse, proprietário do restaurante, levou meses pra limpar o salão. Só que no dia em que encontrou Ronaldo na calçada da Praça Jerônimo Monteiro pregou-lhe um sopapo, como só Joãozinho sabia dar. O pior era Ronaldo contando esta história na sinuca do Edil e morrendo de rir do mamão e do sopapo. Aliás, o negócio de Ronaldo era rir, principalmente se ele fosse a vítima. E na sinuca do Edil esses e outros "causos" eram assuntos do cotidiano que divertiam a turma da sinuca...um bando de homens, voltando a serem crianças...
                Bom...tem outra que, em sinal de respeito, vou omitir a identidade do falecido, que, diga-se de passagem, homem muito conhecido e respeitado na sociedade. Certamente, os dois acima citados, estavam lá. Acontecia o velório na capela do cemitério do Cel. Borges. Era sabido que o falecido e seus amigos gostavam muito de um "goró". La pela madrugada os amigos deram um jeito de tirar a viúva da capela. Não sei o que fizeram para que ela fosse para casa. Próximo a capela havia, não sei se ainda há, um barzinho denominado "O ultimo gole". Beberam a madrugada toda e de vez em quando levavam bebida ao amigo falecido. Eles eram muito amigos mesmo e acharam de fazer o falecido participar dessa despedida, oferecendo-lhe bebida. E de maneira carinhosa, não tanto respeitosa, deitavam bebidas em sua boca, e tentavam abrir seus olhos - choravam sua morte, discursaram. Fizeram muito mais que isso. Alguns, ainda sóbrios, tentaram demover o tal amigo de vilipendiar o morto mas quem o conheceu, sabe que isso seria impossível. E assim foi o velório todo.

Abraços fraternos,
Helena💕

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