segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Incaper recebe pesquisadores mexicanos interessados no controle da meleira do mamoeiro


20/09/2013 - 16h14min

DCM / Incaper

Nesta segunda-feira (16), o Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) recebeu a visita de pesquisadores do Centro de Investigação Científica de Yucatán, no México, e de professores do Programa de Pós-Graduação (PPG) em Biotecnologia da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) a fim de dar continuidade às pesquisas realizadas em conjunto sobre o vírus denominado Papaya meleira virus (PMeV) que atinge as plantações de mamão no Espírito Santo e agora também no México, onde foi introduzida recentemente. A doença causa grandes perdas aos produtores de mamão e é considerada limitante para a exportação da fruta para os Estados Unidos.

A UFES em cooperação com o Incaper vem estudando o diagnóstico molecular da doença por meio do Núcleo de Biotecnologia, envolvendo estudantes de mestrado e doutorado do Programa de Pós-graduação em Biotecnologia.

"Nosso programa de pós-graduação recebeu um estudante mexicano para realização de doutorado. Ao mesmo tempo, um estudante capixaba irá realizar um intercâmbio no México. Ambos estudarão o vírus da meleira do mamoeiro e irão verificar as diferenças de comportamento do vírus nos dois países”, explicou a professora Patrícia Machado Bueno Fernandes, coordenadora do projeto de cooperação acadêmica e também do Programa de pós-graduação em Biotecnologia da UFES.

O Incaper irá contribuir com esse trabalho, uma vez que é referência nas pesquisas sobre esse vírus. “Estudamos e identificamos as causas da doença, que é um vírus, e as alterações causadas por ele na planta. Os frutos doentes apresentam um látex aquoso, e não leitoso, como os saudáveis, tornado os frutos impróprios para o mercado. O estudo do Incaper conseguiu identificar as alterações que ocorrem no látex das plantas doentes e sua associação com as partículas do vírus, bem como o comportamento da doença nas lavouras e as estratégias de manejo que está sendo adotada pelos produtores de mamão”, explicou o chefe da área de pesquisa do Incaper, José Aires Ventura.

Nesta sexta-feira (20), a equipe mexicana irá visitar lavouras de mamão, packing-houses e a Fazenda Experimental do Incaper, em Sooretama, onde conhecerão plantas com a meleira do mamoeiro.

Meleira do mamoeiro
A meleira do mamoeiro é uma doença virótica presente na maioria das lavouras de mamão, sendo um dos principais problemas fitossanitários da cultura no Espírito Santo. Ainda não existem medidas curativas para as plantas doentes e também não são conhecidas cultivares resistentes a essa doença. Essa doença atinge as plantações e diminui a competitividade do mamão brasileiro no mercado mundial. Em média, as perdas econômicas com a doença variam de 20% a 100%, dependendo das medidas de prevenção utilizadas pelo produtor.
A forma mais comum do reconhecimento da meleira é a formação de um látex translúcido e aquoso que se oxida e fica escuro, dando um aspecto melado ao fruto. O aparecimento do látex também acontece nas extremidades das folhas mais novas, permitindo a identificação precoce da doença.

Para controlar a doença, são indicadas algumas medidas, entre elas: realizar inspeções; semanais nos pomares e eliminar as plantas doentes; não coletar sementes de plantas doentes; instalar viveiros e pomares novos o mais distante possível de outros pomares; não deixar frutos maduros nas plantas; e eliminar todas os mamoeiros da lavoura no fim do ciclo econômico de produção.

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Texto: Luciana Silvestre
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