Elizabeth Nader

Aílton Fraga e Maria Aparecida aproveitam momentos de amor e felicidade na casa que alugaram juntos em Santa Tereza
Ela tem 66 anos e ele, 65. Maria Aparecida dos Santos e Aílton Fraga vivem há três meses um romance que não tem idade, sem preconceitos e que nasceu enquanto moravam nos abrigos de Vitória. Na época, tomados por tristezas, decepções e sem uma moradia, não acreditavam nas surpresas da vida.
"Morei alguns anos no abrigo de Maria Ortiz e outros, no abrigo que fica em Jabour. Sou do Paraná e vim para o Espírito Santo depois de ficar viúva e ainda perder quatro filhos. O dinheiro acabou e precisei morar em abrigos. Na época, pensei que seria a pior fase da minha vida. Mas foi nos abrigos que encontrei o Aílton", disse Maria Aparecida, sem conseguir conter as lágrimas.
Já Aílton, com um passado também carregado de tristezas, foi parar nas ruas de Vitória após uma série de decepções amorosas. "Me separei, a relação com meus filhos complicou e, desempregado, não tive para onde ir. Por meses, morei nas ruas de Vitória e, depois de um tempo, fui para o abrigo de Maria Ortiz, onde encontrei a Maria Aparecida", contou.
Ao todo, eles moraram nos abrigos durante quatro anos. O contato entre eles começou depois que as assistentes sociais pediram a Aílton para não deixar Maria Aparecida sair sozinha. "Elas me pediram isso porque ela tem um problema sério de memória e poderia se perder na rua e não saber mais voltar. Fui com o maior prazer e ficamos mais próximos, mas no abrigo é proibido namorar e éramos apenas amigos", lembrou Aílton.
"Foi com esse companheirismo, cuidado e zelo que Aílton me conquistou. Só não sabíamos que algum dia conseguiríamos viver uma história de amor devido às regras do abrigo", complementou Maria Aparecida.
Elizabeth Nader

Após se conhecer em um abrigo da capital, casal foi beneficiado pelo projeto Moradias Alternativas
E foi no projeto Moradias Alternativas, da Secretaria Municipal de Habitação (Sehab), que o casal encontrou a fórmula para viver essa história de amor. Enquanto eles moravam no abrigo de Maria Ortiz, eles foram selecionados para participar do projeto. "Quando recebemos a notícia que faríamos parte desse projeto, foi muita felicidade. Aí conseguimos alugar, com o aluguel social fornecido pela Prefeitura, nossa casinha em Santa Tereza e aqui vivemos muito felizes. Nos completamos", disse Maria Aparecida.
Um pouco mais tímido e de poucas palavras, Aílton demonstra nos pequenos gestos a felicidade de estar dividindo a vida ao lado da pessoa que ama. "Sou de idade e só tenho a agradecer a Deus por ter colocado a Aparecida no meu caminho. Faço todas as vontades dela. É a minha esposa". "Ele é meu tudo! Meu homem, meu amigo, meu pai, meu amor. Fora que é lindão", completou Aparecida.
Projeto Moradias Alternativas
O projeto Moradias Alternativas é uma das vertentes do programa "Onde anda você?", implantado pela Prefeitura de Vitória. O projeto oferece dois benefícios aos moradores em situação de rua. O primeiro é o aluguel social, no qual a administração municipal paga o aluguel de uma casa no valor de até um salário mínimo e o beneficiário tem a liberdade de escolher onde vai morar.
O segundo é a carta de crédito. Nesse caso, o beneficiário recebe um cheque no valor de até R$ 39 mil e tem a possibilidade de comprar uma casa no local que preferir, passando, anteriormente, por uma avaliação técnica de engenheiros da Prefeitura. Os moradores que serão beneficiados com o Moradias Alternativas devem possuir mais de um ano nos abrigos da capital e passar por uma triagem envolvendo todas as secretarias, não abrindo qualquer margem para que outros moradores de rua venham a Vitória com o intuito de entrar no projeto.
Nenhum comentário:
Postar um comentário