terça-feira, 4 de julho de 2017

O “DIA DA CIDADE” DE VILA PAVÃO E SUA HISTÓRIA - por Jorge Kuster Jacob


                 O dia era 01 de julho de 1990. Esse dia para Vila Pavão é o mais importante de toda sua história. Era um dia brumoso, chuvoso e frio, lembrava muito a antiga província prussiana da Pomerânia, de onde era a origem da maioria dos moradores de Vila Pavão.

               Nesse dia, os eleitores de Vila Pavão foram para as urnas para cumprir o penúltimo ritual do nosso processo de emancipação política do nosso município que desmembrava de Nova Venécia.

                  Para emancipar tínhamos que passar por 5 ritos. Já tínhamos conquistados 3. Fazer a população dizer "sim" no plebiscito desse dia para Vila Pavão era o penúltimo critério. E o ultimo era o sancionar o resultado em Praça Pública ou no palácio Anchieta pelo Governador do Estado confirmando assim a nossa emancipação. 

                 O dia mais importante da nossa história foi 1º de julho de 1990. Talvez se outro grupo politico mais conservador tivesse vencidos as primeiras eleições não teria sido esse o “dia da cidade.” O primeiro prefeito Erno Julio Dieter era de um grupo mais de esquerda (PDT e PT) e o outro grupo era mais de direita (PSDB e PFL). É fato que a esquerda valoriza mais o grupo e a direita valoriza mais o individuo. O primeiro valoriza mais a participação popular e a direita mais a participação das autoridades.

                  A maioria do “dia da cidade” dos municípios usa o segundo critério para sua escolha, ou seja, usa-se o dia que a autoridade máxima, no caso o governador “sanciona a lei de emancipação politica” que no caso de Vila Pavão foi 11 de janeiro de 1991 quando Max de Freitas Mauro veio em praça publica sancionar a lei. Lembro que isso aconteceu em cima de um caminhão na frente da Loja SM – Material de Construção.

                 Na época, em 1992, eu era Secretaria Municipal de Educação, Cultura, Turismo e Lazer, por causa da participação popular (povo, maioria); lembro que na época propus para o prefeito Erno Julio Dieter que o “dia da cidade” fosse 1º de julho. Depois de algumas argumentações esquerdistas, Erno aceitou, elaborando essa lei que foi enviada para Câmara dos Vereadores e aprovada.

                  Na época lembro e ainda era costume direitista, influenciado pela ditadura militar considerar o “dia da cidade” quando a autoridade máxima, no nosso caso, o governador da época, Max de Freitas Mauro, sancionasse a lei que poderia ser em seu gabinete (Vitória) ou em praça pública como o governador fez. Resumindo, se o PSDB coligado com o PFL tivesse ganhado a nossa primeira eleição, provavelmente o “dia da nossa cidade” teria sido 11 de janeiro de 1991. Questão de ideologia politica.

                  Então devemos enaltecer o prefeito Erno Julio Dieter que valorizou a “participação popular” em especial os mais de 2 mil eleitores que vieram dizer “sim” para nossa emancipação nesse dia. Ali naquela reunião compreendíamos que a vontade do povo no dia 1º de julho de 1990 era mais importante do que um governador e merecia ser homenageada. O prefeito Erno aceitou essa nossa sugestão e assim essa data entra para história.  

                  Lembro que o Grupo Emancipavão, no dia incentiva as pessoas irem e votar. Nesse dia chuvoso e frio várias pessoas doentes, com febre foram votar. Tinha uma senhora que ganhara neném nos dias e estava de resguardo com muitas dificuldades de caminhar. Até sei mãe de quem é. Esse filho dela hoje tem a idade de nossa emancipação. Alguém tem foto dessa senhora caminhando com dificuldades para votar. Com certeza votou “sim”.

                 Vila Pavão sempre foi um município de agricultores familiares. Mais de 70% de sua população morava no interior. Todas as estradas eram de chão, até o trecho de Nova Venécia a Vila Pavão ainda não tinha asfalto. A chuva de semanas deixaram muitas estradas do interior intransitáveis, especialmente as do interior. No dia a chuva não dava treva. Assim dos 3.837 eleitores só vieram votar 2.290 eleitores. 1.547 não compareceram para votar. Destes, 2,123 disseram sim. Apenas, 108 votaram não, influenciados por alguns fazendeiros sonegadores na época. 32 anularam o voto e 27 votaram em branco. Tinham que comparecer a metade dos eleitores aptos mais um e era necessário 50 por cento deste total, mais um votasse “sim”.

                 Em 11 de janeiro de 1991, o governador Max de Freitas Mauro (PDT) veio cumprir o último ato da nossa emancipação em praça pública (na frente SM Material de Construção) e sancionou a Lei de emancipação. Essa data também merece ser comemorada. Lembro que nesse dia o Governador também deu inicio a obras da primeira quadra de esportes de Vila Pavão na escola do CIER.

                Mas ainda tivemos que esperar mais de um ano para eleger o nosso primeiro prefeito e nossa primeira câmara de vereadores. Essa eleição aconteceu no dia 03 de outubro de 1992 que assumiu em 1º de janeiro de 1993.

              Algo inédito aconteceu nessa primeira eleição: dois pastores luteranos disputaram a eleição, Erno Julio Dieter(PDT/PT) e Aroldo Felberg( PSDB/PFL). Venceu Erno que assumiu a primeira administração em 1993. 

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