Comunicação/HEJSN
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| A CIHDOTT do hospital prepara, para o segundo semestre, um módulo de treinamento com simulação realística. |
A doação de órgãos é uma atitude de
grande generosidade, pois pode devolver a
vida a uma pessoa em fase terminal
ou cronicamente incapacitada. Muitas
famílias, porém, quando perdem um ente
querido, podem não optar voluntariamente
pela doação de órgãos de seu familiar por
diversos motivos, e são nesses
casos, especialmente, que ganha
importância a atuação de profissionais
e gestores da saúde.
No Hospital Estadual Dr. Jayme Santos
Neves, na Serra, a Comissão
Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos
e Tecidos para Transplante
(CIHDOTT) tem trabalhado para garantir que as unidades de internação notifiquem
cem por cento dos óbitos e que em todos os casos seja feita a verificação de possíveis
doadores em entrevista com os familiares. Ao longo do primeiro semestre deste ano,
o hospital capacitou todos os enfermeiros, além de assistentes sociais e psicólogos,
para atuarem no processo de captação de órgãos.
“O processo é complexo e desafiador para os profissionais porque envolve, além da
legislação, a identificação de potenciais doadores, o diagnóstico de morte
encefálica, a comunicação do óbito à família e a entrevista com os familiares para
a possível doação de órgãos. Por mais que eles não trabalhem em todas as frentes, é
necessário que conheçam todas as fases e estejam prontos para acionar a CIHDOTT”,
explicou a enfermeira Rosemary Sabadini, coordenadora da Comissão Intra-Hospitalar
de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante do Hospital Dr. Jayme.
Ao todo, foram 13 treinamentos. O último, realizado nessa quinta-feira (11), teve uma
novidade. Além de médicos, participaram estudantes de medicina que cursam
internato no hospital. Segundo o diretor técnico do Hospital Dr. Jayme, Eric Teixeira
Gaigher, formar profissionais médicos sensíveis a essa causa é um dos firmes
propósitos da direção do hospital.
“A capacitação foi mais uma oportunidade para os estudantes conhecerem o processo
de captação e doação de órgãos e se tornarem multiplicadores do conhecimento. Os
alunos de medicina não têm, na grade curricular, nenhum contato com doação de órgãos,
e eles estão dentro do maior hospital público do Espírito Santo. O Dr. Jayme, hoje, possui
papel fundamental na captação e no transplante de órgãos e tecidos”, destacou Eric Gaigher.
A CIHDOTT do Hospital Estadual Dr. Jayme Santos Neves vem se empenhando para
consolidar a instituição como a principal geradora de doadores de múltiplos órgãos no
Estado. A coordenadora de CIHDOTT da Central de Notificação, Captação e Distribuição
de Órgãos do Espírito Santo (CNCDO-ES), Maria Aparecida Thomazini, lembra que
em 2014 o Hospital Dr. Jayme foi a unidade hospitalar com maior número de doações
no Espírito Santo.
“Isso não é uma competição, vale destacar. São números que mostram o potencial da
unidade em prol da população capixaba. Por isso, em parceria com a CIHDOTT
do hospital, estamos trabalhando a capacitação desses profissionais para que
eles exerçam, dentro da ética e da legalidade, a função de captadores”, explicou
Maria Aparecida Thomazini.
Para o segundo semestre de 2015, a CIHDOTT do Hospital Dr. Jayme prepara um
módulo de simulação realística. Então, todas as técnicas aprendidas poderão ser
colocadas em prática.
Saiba mais
Órgãos como coração, rim, fígado e pâncreas só podem ser captados de doadores em
morte encefálica, mediante autorização da família. Já a córnea pode ser captada
tanto de doadores em morte encefálica ou até seis horas após o óbito por
parada cardiorrespiratória.
Legalmente, a doação em vida só é permitida entre parentes até o quarto grau (pais,
irmãos, netos, avós, tios, sobrinhos e primos). Fora isso, é preciso uma autorização
judicial para solicitar esse tipo de transplante. A medida é para evitar o comércio e
o tráfico de órgãos. A doação em vida é aplicada apenas para órgãos duplos, como
os rins. No caso de pulmão e fígado, é extraída apenas uma parte do órgão.
A medula óssea também pode ser doada em vida.
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