Em Homenagem a data de seu aniversário
26/11/1884
26/11/1884
Gilberto Ferreira Machado, nasceu na Fazenda Bela Vista, município de Cachoeiro de Itapemirim-ES. Tinha sete anos quando ficou órfão. Foi para o Rio de Janeiro morar com o Monsenhor Alves, que lhe proporcionou uma educação esmerada. Católico, estudou no Colégio Santo Inácio. Já rapazinho voltou para o Espírito Santo indo morar com sua irmã, Almerinda, casada com o Cel. Marcondes de Souza, homem rico, dono da fazenda Safra que chegou a governador do Estado. Aproveitou a oportunidade que lhe ofereceu o cunhado e trabalhou com ele mostrando grande talento para negócios. Certa feita, passando por fazendas no interior, viu uma bela moça lavando roupas à margem de um córrego. Soube que se chamava Dinorah e que era filha do fazendeiro. Sem trocar uma palavra sequer com a moça, pediu ao seu pai sua mão em casamento - era costume da época. Com os recursos adquiridos de seu trabalho, comprou a fazenda Fruteiras, hoje com os herdeiros de Arismeu, onde iniciou sua vida conjugal. Mais um tempo e comprou a Fazenda Independência, Itabira e outras terras foram se juntando. Comprou terras em Marataizes. Soube que uma parte da Rua Capitão Deslandes, no centro, foi dele. Por fim comprou a Fazenda da Tijuca, hoje Bairro Gilberto Machado, em Cachoeiro, para onde se mudou. Residiu em uma ampla casa situada na sede da sua Fazenda. Doou todo o terreno para a construção da Santa Casa, como também fez expressiva colaboração financeira. Reconhecido como um homem justo e generoso. Amado e respeitado. Preocupado com os desvalidos e os doentes, fiel, integro, hospitaleiro e amante de uma boa prosa. Um mestre em fazer amigos. Não fazia diferença entre ricos e pobres. Sem ser político, foi amigo de Jerônimo Monteiro e do Governador Carlos Lindenberg de quem tinha uma foto de corpo inteiro na sala de sua casa. Aos Domingos, muitas vezes acompanhado dos netos, percorria os leitos das enfermarias e levava palavras de otimismo aos enfermos e a cada um entregava uma moeda de mil reis. Em seguida, se dirigia para a cadeia e visitava os presos e, da mesma maneira, depois de uma palavra de bom animo, entregava uma moeda. O casal teve catorze filhos, sendo que somente doze chegaram a vida adulta. Na subida da Santa Casa, hoje, Rua Raulino de Oliveira, construiu 12 casas, iguais, para seus filhos. Alguns chegaram a residir nelas. Seu Gilberto gostava de cavalgar e esse era seu usual meio de transporte. Existem muitos "causos" e lendas em torno dessa figura intrigante. Uma delas, conta que o Seu Gilberto entrou a cavalo na igreja. Os familiares dizem que não chegou a adentrar e sim, parou na soleira da porta e entrou de espora. Outro caso, bem conhecido, foi confirmado por seu neto. Ele viu seu avô comprar um varal de frango de seu fornecedor e mandar entregar na Santa Casa com a recomendação para fazer canja para os doentes das enfermarias. No outro dia seus netos, Dido e João Gilberto, avisaram ao avô que viram o varal de frangos na ponte municipal (antes de madeira). Eles estavam sendo levados para o Colégio das irmãs. Seu Gilberto foi atrás, mandou voltar com os frangos e adentrou a Santa Casa a cavalo, enquanto as irmãs se escondiam na clausura. Estes e outros apontamentos aqui postos, foram extraídos do livro "Meu Tipo Inesquecível" de autoria de seu neto João Gilberto Machado Moura. Tem outro "causo" me contou seu neto Dido - A Santa Casa precisava reformar a cozinha. Seu Gilberto fez a doação de todos os tijolos necessários e tinha o costume de visitar a obra. De certa feita ele olhou para o alto da pilha de tijolos e viu muitos embrulhos que ele supôs serem rapadura. Ele era diabético e ficou curioso em ver as "rapaduras" ali. Paladar e sentido aguçados pela vontade de comer doce, pegou um dos embrulhos e qual não foi sua surpresa em ver que não eram rapaduras e sim tijolos embrulhados que estariam sendo levados para a construção do muro do Colégio das Irmãs.
Conta-se que procurado por Seu Jerônimo Ribeiro, diretor do Asilo Deus Cristo e Caridade, para uma ajuda financeira para sua entidade, seu Gilberto teria sido grosseiro com ele. Há quem afirme que ele chegou a empurra-lo. Há controversa quanto a isso. Seu Jerônimo, na sua humildade, voltou a bater na porta e seu Gilberto indagou o que ele ainda queria. Seu Jerônimo respondeu - a minha parte o senhor já me deu, agora me da a do Asilo. Deve-se ressaltar que ele estava em crise na sua doença. Este fato lhe causou profundo remorso, o que o levou a conhecer o espiritismo e depois abraçar a Doutrina. Ouvindo seus netos, eles descreveram o avô como um homem doce, que quando entrava em crise, gostava de mostrar força física, falava alto, gesticulava mas, nunca violento. Apesar disso, nesta fase, todos o temiam. Também me foi narrado por Dona Dinorah que, quando ele estava em crise, ele vendia tudo, inclusive terras, a qualquer preço e pessoas inescrupulosas, até "amigos" aproveitavam da situação.
Gilberto Machado sofria de uma doença mental, cíclica, que aparecia no inverno e durava cerca de dois meses na sua fase de euforia e manias. Depois declinava e vinha uma fase de quietude e depressão. Aos poucos voltava ao normal e durava até o próximo inverno. Transtorno bipolar do humor, antes conhecida por psicose maníaco depressiva, é uma doença familiar, tendo sido reconhecido alguns casos na família. Suas internações eram sempre traumáticas. O tratamento era choque elétrico o que lhe causava grandes sofrimentos. Apesar dessa doença, ele faleceu aos 68 anos, vitima de diabetes e suas complicações.
Abraços Fraternos
Helena
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