A companhia de Força e Luz, em parceria com a Prefeitura de Cachoeiro, levantou uma enorme árvore de Natal no centro da cidade. Eu estava na casa da minha mãe quando ouvimos o rádio noticiar que Gildo Machado havia derrubado a árvore de Natal. A notícia repercutiu com muitas criticas e discussões. Assustada, corri ao local e vi o estrago. Cheguei até o Bar Vitória, onde não entravam mulheres, e acenei ao Gildo. Antes que eu falasse, ele disse para eu voltar pra casa. Não me deu explicação. Ouvia-se que o prefeito, Raimundo Andrade, andava armado e o ameaçava. Reergueram a árvore que permaneceu iluminada e cheia de bolas coloridas até o Natal. Mas o caso não se encerrou aí. A luta continuou. Gildo Machado e os demais ativistas iniciaram uma campanha, através de rádio, jornais e panfletos, conclamando a população a não pagar as contas de luz. Ao mesmo tempo, colocaram uma mesa no meio da rua, quase em frente a companhia de energia. Com a ajuda de um megafone, um quadro negro, giz e o SINO DE BRONZE, deu início ao protesto. Cada cidadão que pagasse sua conta, tinha o nome escrito no quadro negro e anunciado no megafone, como traidor, ao mesmo tempo que o sino tocava. Hoje, com a Internet, tudo isso tornou-se bem mais fácil. Parece-me que a árvore tinha por finalidade suavizar o impacto do aumento, absurdo, da energia elétrica. Não sei o resultado dessa campanha. Eu não era uma ativista engajada nas causas de interesse publico, como hoje sou. Aprendi muito com ele. Ambos gostávamos do Leonel Brizola.
Gildo Machado exercia liderança e era corajoso na defesa do coletivo, sem nunca ter sido político partidário.
Gildo Machado exercia liderança e era corajoso na defesa do coletivo, sem nunca ter sido político partidário.
Abraços fraternos,
Helena
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